A Prefeitura do Rio inaugurou, na manhã desta sexta-feira, o Centro de Acolhimento Maria Vieira Bazani, no Recreio dos Bandeirantes, que receberá até 26 idosos com mais de 60 anos, de ambos os sexos, que vivem em situação de abandono. A unidade, localizada na Rua Teotônio Vilela, s/nº, estava desativada há anos e passou por uma reforma orçada em R$ 60 mil, que incluiu intervenções nos dormitórios, banheiros, cozinha, sala de televisão, além da área externa. O Centro de Acolhimento também abriga uma quadra de esportes e um local para plantio.
Durante a cerimônia, que contou com a presença da Banda da Guarda Municipal, o secretário municipal de Assistência Social, Fernando William, falou sobre os fatores que levam as pessoas a viverem em situação de rua.
- Uma parcela muito significativa da população acaba indo para as ruas por vários motivos. Na maioria das vezes elas são agredidas, violentadas, desrespeitadas em ambientes familiares e perdem a possibilidade de preservar vínculos. Mas a rua é o pior de todos os lugares para se viver. Por isso, seja pelo fato de estarem nas ruas ou de estarem em casa sendo tratadas de forma indigna, compete ao poder público acolher e oferecer a melhor qualidade de vida possível – afirmou o secretário.
Para o subprefeito da Barra e Jacarepaguá, Tiago Mohamed, a Prefeitura vem trabalhando cada vez mais para melhorar a qualidade de vida da população carioca.
- Esse é mais um espaço que a Prefeitura oferece para a população do Rio de Janeiro. Isso mostra o comprometimento com o bem-estar da cidade e, principalmente, o trabalho extraordinário para dar dignidade para as pessoas e uma condição melhor para que todas vivam de forma justa e humana – disse.
Todos os idosos contarão com serviços de psicologia e de assistência social. Eles também trabalharão com plantio e terão acesso à atividades esportivas, dança e ginástica. Através de uma parceria com a Instituição Social e Cultural Alegria de Ler (Iscal), eles farão ainda, trabalhos de leitura, participarão de contação de histórias e de terapia do riso. Além dessa instituição, o abrigo conta com o apoio do Lyons Club e da Secretaria Municipal de Saúde.
Para José Edvaldo dos Santos, 66 anos, mecânico em refrigeração que saiu de casa há dois anos por ameaça da família e morava com a esposa Isabel Gomes de Aguiar, de 87, embaixo do viaduto, próximo ao antigo prédio do Jornal do Brasil, em São Cristóvão, a nova unidade oferece um tratamento digno e respeitoso.
- Estou gostando daqui. O local e o tratamento são ótimos. É muito melhor do que ficar na rua. Me sinto mais protegido – afirmou Edvaldo, que disse ainda sentir saudades de voltar a trabalhar. Segundo o secretário Fernando William, Edvaldo terá seu talento aproveitado e voltará à ativa, fazendo reparos nos aparelhos de refrigeração e trabalhando na recuperação de equipamentos do Centro de Acolhimento.
A unidade do Recreio fará parte da Rede de Proteção Social Especial da Prefeitura voltada para o atendimento à Terceira Idade, que hoje conta com outros três abrigos municipais no Catete, Ilha do Governador e Alto da Boa Vista. A Rede de Proteção dispõe de 223 vagas, sendo 49 delas nos três abrigos da rede municipal e 174 fruto de convênios com instituições privadas e filantrópicas.
Texto: Juliana Romar Fotos: J.P. Engelbrecht
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