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Wadson Pereira de Souza, é um antigo conhecido da ISCAL. Foi através de sua força de vontade que conseguiu manter nas 3 penitenciárias onde passou 3 bibliotecas ativas.
Sua perseverança conquistou espaço a abriu caminho para novos leitores.
A ISCAL apóia e parabeniza iniciativas isoladas como a de Wadson.
Depois de passar pelas penitenciárias de Potim e Flórida Paulista, Wadson agora está engajado na formação da nova biblioteca da Penitenciária de Presidente Bernardes.
Merece aplausos! Kennya Kattllem
Veja na íntegra a sua carta dirigida a ISCAL.
Penitenciária de Presidente Bernardes – SP
08 de abril de 2009.
A/C.: Sra. Kennya
Prezada Senhora, Muita Luz e Paz!
“Que a Luz do divino mestre Jesus o Cristo ilumine a todos desta fundação com muita paz espiritual.
Sou um “preso” desta unidade prisional, durante todo este período em que me encontro preso tenho me dedicado com muito afinco a adquirir conhecimento e sabedoria através da leitura diária e constante, procurando sempre usar das informações adquiridas como instrumento do meu aperfeiçoamento pessoal, moral e espiritual. Isso foi a pedra de torque de minha reforma íntima, pois a cultura como a senhora sabe além de nos tornar mais interessante, aumentar o nosso vocabulário e nos dar informações, tem também a capacidade e o poder de formação de uma consciência mais crítica, que nos alicerça, nos abaliza e nos dá o poder de fazer novas e melhores escolhas.
Meus objetivos e as minhas escolhas hoje são totalmente diferentes de há dez anos atrás, mesmo estando ainda encarcerado, mas menos preso a cada dia. Escolhi não ser mais escravo das drogas, meu ópio é literatura, onde, me embriago em viagens à mundos fantásticos, onde conheço novos lugares, novos pensamentos, novas formas de enxergar o mundo; como por osmose através da experiência e da retina literária de pensadores e escritores, que nos transmitem uma gama enorme de aprendizados.
Neste intervalo de tempo (10 anos) ajudei na edificação de 3 bibliotécas, duas delas em penitenciárias recém inauguradas, onde o destino me levou e até hoje essas bibliotecas sobrevivem e paulatinamente formando novas consciências e eu estou sempre incentivando aos companheiros de cárcere a importância e os benefícios em se adquirir conhecimentos, para que no futuro também venham a fazer novas e melhores escolhas.
Obtive a ajuda de vocês (ISCAL) na Penitenciária II de Potim e na Penitenciária de Flórida paulista, onde recebemos generosa doação de livros, o que muito fortaleceu a nossa biblioteca.
No momento nesta penitenciária onde me encontro, temos uma biblioteca há quase 20 anos, mas nossa biblioteca está fraquinha, desatualizada na grande pequena maioria o que temos são livros velhos reformados diversas vezes. Me encontro nesta unidade prisional há 8 meses e decidi por um sentimento ajudar para reestruturá-la, pois aqui como temos muito pouco trabalho laborterápico e muito tempo de ócio, há também uma grande aceitação e procura por livros por parte dos presos, temos uma boa rotatividade com os livros que dispomos. Estamos sempre incentivando a leitura como forma de terapia ocupacional e crescimento individual e queremos melhorar o nosso potencial para podermos oferecer mais opções de leitura e atender a um número maior de leitores.
Por isso é que em nome de todos os presos desta unidade é que me dirijo até vocês, para pedir para a nossa biblioteca “ doação de livros” como forma de fortalecer a nossa biblioteca e conseqüentemente o nosso propósito. Não nos importa serem livros novos, velhos ou com defeito, o que nos importa é o conteúdo e o aprendizado que podemos sorver.
Mas independente da disponibilidade, quero primeiro meu muito obrigado pelo que já o fizeram em outras unidades prisionais, caso esteja nas condições da ISCAL mais uma vez se engajar em mais este projeto, os livros devem ser remetidos a esta Penitenciária, em nome da Biblioteca da Penitenciária de Presidente Bernardes, A/C......
Que Deus, Jesus lhes retribuam em cêntuplos e nos abençoes a todos para que o conhecimento um dia chegue a todos e não tenhamos que construir tantas cadeias.”
Cordialmente, Wadson Pereira de Souza.
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